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Base Florianópolis - Santo Antônio de Lisboa
Prof. Marcelo Visintainer Lopes
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terça-feira, 31 de março de 2020

Ganhando dinheiro com barcos. Parte 1 - Prestação de Serviços

Por Marcelo Visintainer Lopes – Escola de Vela Oceano

Instrutor de Vela e Consultor Náutico


Muita gente me pergunta se é possível ganhar a vida trabalhando na área náutica.
Eu sou o próprio exemplo disto. Trabalho exclusivamente com a vela a mais de 30 anos e conheço várias pessoas que também se ocupam de maneira parecida com a minha.


Vejo dois caminhos

O primeiro é utilizando o próprio veleiro.
O segundo é prestando serviços para terceiros.
As duas opções são bem remuneradas, já que há escassez de serviços em todas as áreas.

A primeira atitude a ser tomada é buscar a qualificação profissional e algumas especializações (se julgar necessário).
O importante é que seja em alguma área que lhe dê mais prazer em trabalhar.

Se você ainda não tem barco e não está inserido no meio náutico, o trabalho inicial é fazer relacionamentos. De nada adianta você estar apto a prestar o serviço se ninguém o conhece.

Depois disto a dica é buscar marinas e clubes de vela e colocar a cara.
Conversar, apresentar suas qualificações e oferecer os seus serviços.

Seus primeiros trabalhos serão os mais importantes, pois será através deles que as primeiras indicações aparecerão.
Também será através deles que você terá os primeiros materiais de endosso (fotos, vídeos e testemunhos dos clientes).
Este marco é importante, já que você ainda não tem nenhuma outra experiência comprovada e nem pessoas que possam atestar a qualidade do seu serviço.

Se você já presta serviço em áreas não ligadas ao mercado náutica tente aproveitar as suas experiências da melhor maneira. Às vezes basta uma pequena adaptação na forma e na técnica que você já sai executando serviços de qualidade.
Esta experiência anterior poderá lhe dar um bom empurrão no início.
A prestação de serviço náutico é minuciosa e muito particular. Todo o compromisso é pouco para garantir boas indicações.
Raramente encontramos pessoas desconhecidas oferecendo serviços na web.
Jamais eu contrataria um instalador hidráulico se eu não tivesse boas indicações do seu serviço.
Proprietários de veleiros são muito cuidadosos e não entregam seu patrimônio na mão de qualquer desconhecido.

Os serviços náuticos encontram-se concentrados basicamente na marinas e nos clubes de vela e é ali que o seu foco deve estar.
Se você estiver longe da estrutura de uma marina ou clube poderá oferecer seus serviços para todos os seus vizinhos de ancoragem.
Pegue o seu bote de apoio e se apresente como o vizinho de ancoragem que trabalha na manutenção de ...


Tipos de manutenção

Costurar velas e capotaria, fazer almofadas e trocar estofamentos, fazer vedações, aplicação de teka sintética, manutenção de motor de popa, manutenção de motor de centro, instalações e manutenções elétricas, instalações e manutenções hidráulicas, carpintaria, solda, limpeza de convés, limpeza interna, limpeza de costado, lubrificação de peças, troca de cabos, lixar, pintar e polir o casco, aplicação de verniz interno e externo e por aí vai...


Mergulho

O mergulho é um dos trabalhos mais requisitados no meio náutico.
São muitos os serviços para se fazer em baixo d’água:
Limpeza de casco, desentupimentos, manutenção preventiva, reparos na fibra, troca de hélice, troca de anôdos de sacrifício, achar coisas perdidas etc.
Com o mergulho, além de você gerar lucro trabalhando para terceiros, também conseguirá diminuir os seus próprios custos de manutenção e de alimentação.

É bom você ter ciência que o dinheiro como moeda é mais comum de ser usado em terra firme.
Seus vizinhos de ancoragem poderão trabalhar com outras formas não convencionais de pagamento e isto é muito normal.
Acostume-se com isto e muitos benefícios virão na carona da solidariedade!




domingo, 29 de março de 2020

O primeiro veleiro - os 7 erros mais comuns na hora da compra


MEU PRIMEIRO VELEIRO - OS 07 ERROS MAIS COMUNS NA HORA DA COMPRA


Por Marcelo Visintainer Lopes
Instrutor de Vela Oceânica e Consultor Náutico


O auge da produção de veleiros no Brasil ocorreu nas décadas de 80 e 90 e são estes mesmos barcos que continuam dominando o mercado de usados até hoje.
A maior parte dos estaleiros desta época encerrou suas atividades e poucos estaleiros novos surgiram.
A constatação desta desigualdade é que o número de barcos produzidos dos anos 2000 até hoje é muito menor do que os produzidos no passado.
Sendo assim, a busca pelo barco ideal, principalmente o “primeiro barco”, passa a ser um trabalho de garimpo.
É necessário olhar muitos barcos para encontrar um que esteja em boas condições. Estamos falando de barcos com mais de 30 anos.
Por serem encontrados em menor número, os barcos mais novos tendem a sair mais rápido da “prateleira”.
Embora sejam comercializados mais rapidamente, não existe nenhuma garantia de são mais bem construídos que os antigos.
Muitas vezes é preferível comprar um barco antigo do que um mais recente produzido por um “estaleiro de fundo de quintal”.

Normalmente quem está buscando o seu “primeiro veleiro” ainda não possui conhecimento suficiente sobre marcas e modelos.
Antes de comprar um carro você faz uma grande pesquisa buscando descobrir as avaliações técnicas e as reclamações recorrentes.
No mercado de barcos não funciona assim. Quem compra um veleiro de procedência duvidosa, muitas vezes nem fica sabendo disto.
Os poucos comentários encontrados na web limitam-se ao desempenho, conforto, estética e outras coisas que não são relevantes na avaliação técnica.
Quando uma pessoa está olhando um barco para comprar, normalmente sua avaliação baseia-se naquilo que “mais salta aos olhos” como as madeiras bem envernizadas, os estofamentos e os instrumentos eletrônicos (mesmo que obsoletos).
A parte estrutural passa desapercebida e a maioria dos defeitos mais graves também.




Foi pensando nisto que criei uma lista com os erros mais comuns na avaliação.

1.Barcos abandonados

Primeiro exemplo
É cada vez mais comum encontrarmos veleiros “abandonados” pelos pátios da cidade e parar o carro para descobrir alguma coisa sobre eles é muito tentador. Confesso que já fiz isto inúmeras vezes.
Sempre temos a impressão de que poderão ser renovados facilmente.
Se o barco estiver à venda por um valor que considere justo, você vai dar um jeito de levá-lo para casa no mesmo dia.
Sua esposa vai adorar a surpresa! Rsrsrsrsrs
Onde está o problema?
O impulso da compra impede você de avaliar tecnicamente o que realmente interessa que é a integridade do casco e dos demais equipamentos.
Pessoas “normais” não conseguem enxergar o que há escondido por baixo da estrutura toda.
Velejadores com mais experiência avaliam a estrutura e já calculam o valor aproximado da reforma.
Toda a precaução nesta hora é importante, pois o impulso pode levar você a comprar um barco condenado.

Os demais componentes
Barcos velhos normalmente apresentam corrosão galvânica nos perfis de mastro e retranca e dependendo do estado, a substituição é a única solução.
Se o motor não estiver 100%, o custo de aquisição de um novo poderá passar da metade do valor barco ou até mais.
Velas, cabos e estaiamento são passíveis de troca, mas somando tudo é possível que a conta chegue próxima de um veleiro pronto (sem nada pra fazer).


Segundo exemplo
Você encontra um barco em situação parecida com a anterior só que desta vez trata-se de uma construção artesanal (barco feito em casa).
Não há nada de errado com a cultura da construção artesanal. A única exigência é que o projetista seja conhecido e que o projeto seja executado à risca.
Quem constrói seu próprio veleiro sente um orgulho enorme em ter conseguido executar o projeto do início ao fim.
O que frustra a maioria dos construtores artesanais é sempre o custo final.
Quase sempre o valor investido daria para comprar um barco novo ou semi novo do mesmo tamanho ou até maior.
O segundo detalhe é a desvalorização no momento da venda, pois existe uma diferença grande entre o seu custo final e o valor percebido (valor de mercado).


2.Recall
Alguns barcos produzidos no Brasil apresentam problemas recorrentes.
A diferença entre a fabricação de barcos e a fabricação de carros é que as fábricas de automóveis são obrigadas a comunicar os proprietários sobre problemas mais graves e os estaleiros não.
Você conhece algum modelo de veleiro que já apresentou problemas recorrentes?
Eu conheço vários...
Se você não conhece nenhuma pessoa com conhecimento do mercado náutico eu aconselho que você se dirija até uma marina e converse com o pessoal de manutenção (especialmente fibra e pintura). É a melhor maneira para descobrir a verdade sobre os estaleiros. Este pessoal sabe tudo sobre a resistência dos cascos e vão contar a você quais são os modelos mais fortes e os mais fracos.
Como eles acompanham o içamento dos barcos para cima das carretas ou para apoiá-los sobre a quilha (quando ficam no chão), sabem direitinho “onde o nó aperta”.
A notícia boa é que existem poucos modelos que apresentam problemas!
Não desista!!


3.O barco não atendeu suas expectativas

Você percebeu que...
- Balança muito
- Não consegue se acomodar - ele é muito apertado
- Não tem banheiro
- A cozinha é muito pequena
- Ele é muito lento - faz médias inferiores a 5 nós
- Ele é grande demais e que é necessário fazer muita força para velejar
- Ele é muito pequeno e nervoso.
- Ele faz uns barulhos e ringidos estranhos

Barcos pequenos (12 a 23 pés em média) não foram concebidos para proporcionar conforto ao velejar.
Muitos deles não foram pensados para navegar no mar, só em lagoas e lagos.
Se você não se importar de tomar uma onda ou outra na cara eu não vejo muito problema, mas antes pesquise sobre o tipo de água para qual o barco foi construído.

Veleiros com problemas estruturais costumam ringir de verdade. Quanto mais vento e ondas, mas ringidos aparecem.
Pode ser a porta de armário ou a porta de uma cabine. Até aí nenhum absurdo. O problema é quando as anteparas (tipo paredes internas que possuem a função estrutural) começam a se deslocar.
Estes barulhos aparecem quando o barco sofre algum tipo de deformação. Pode ser no encontro com as ondas, na ação do vento mais forte refletindo nas velas e outros. Elas estão previstas no projeto e os reforços estruturais servem exatamente para isto.
Só não podem ocorrer ao ponto de provocar descolamentos de materiais ou delaminações na fibra.


4.Comprou um pequeno, mas poderia ter comprado um maior
A única exigência para comprar o barco do tamanho definitivo é você ter a certeza absoluta que gosta de velejar.
As trocas por modelos maiores só geram perda de tempo e de dinheiro. Tempo para conseguir vender (pode demorar bastante) e talvez algum dinheiro com a depreciação.
Muitos velejadores gostam de falar que devemos começar pelo pequeno e depois ir subindo. Isto é coisa do passado, onde o acesso ao dinheiro era mais difícil e para trocar de barco o cara tinha que ser bem de vida.
Existia também a cultura equivocada que dizia que aprender no pequeno te dá “sensibilidade”. De fato, se você aprender no pequeno conhecerá com mais facilidade as tendências de um barco maior, só que isto só vai funcionar até um determinado tamanho de barco.
A sensibilidade que você adquiriu velejando em um Laser por exemplo, não encontra lugar em um veleiro acima de 30 pés e com roda de leme.
Se os processos de ensino da vela contemplassem este raciocínio pedagógico você seria “obrigado” a passar primeiro pelo monotipo para depois acessar os cursos de vela oceânica.
Definitivamente não é assim que funciona. Se fosse assim as escolas de vela não teriam cursos de iniciação à vela oceânica disponíveis para adultos sem experiência.
Velejadores com experiência em classes menores (monotipos) velejam em qualquer tipo de barco, sem a necessidade de passarem por cursos mais avançados.


5.Aprender por conta própria
Sempre digo a mesma coisa em relação a este tipo de atitude: se você estiver sozinho a bordo o problema será só seu!
A irresponsabilidade começa quando você coloca outras pessoas no mesmo barco.
Essa não é a atitude mais sensata e segura a ser tomada, pois manobras equivocadas costumam causar sérios acidentes a bordo.
Velejar é prática e repetição continuada assistida por um profissional.
O resto é perda de tempo e negligência com a segurança da tripulação.
Tutoriais na internet não ensinam a velejar. É impossível aprender a comandar um veleiro oceânico sem uma pessoa mais experiente ao seu lado.
Ao longo dos meus 45 anos de vela tenho acompanhado a difícil trajetória de quem fez esta escolha. O que eu posso relatar é que elas continuam tensas, inseguras e cometendo os mesmos erros de sempre.


6.Barco “zero km” é garantia de qualidade?
A resposta é sim, desde que o estaleiro possua responsabilidade com os seus clientes.
Se você não tiver boas referências é melhor comprar um barco mais antigo, mas com procedência garantida.
Existem alguns (poucos) estaleiros que utilizam processos de laminação duvidosos e empregam pouca quantidade de material, diminuindo a resistência estrutural. Este o mais antigo e o mais imoral artifício utilizado para a redução de custos.
Geralmente são barcos com valores atrativos, porém inadequados para velejar com segurança.
Estaleiros deste tipo poderiam produzir caixas d’água e piscinas, mas veleiros nunca!
Você já ouviu falar de algum assim?


7.Comprar um veleiro e guardá-lo na garagem
Veleiros oceânicos de quilha fixa não foram criados para ficar longe da água.
Você deve procurar locais com vagas molhadas, rampa com guincho ou trator ou que possuam sistemas de içamento com pau de carga ou travel lift.
Veleiros de até uns 23 pés com bolina ou quilha retrátil podem ser guardados em casa com mais facilidade.
Uma coisa é guardar e a outra é velejar.
A vontade de velejar vai diminuindo gradativamente em função da trabalheira toda...
Deslocar o barco até uma rampa, baixar, montar, guardar o carro e a carreta em algum local seguro, velejar, desmontar, buscar o carro, subir e levar de volta para casa...
Ufa! Cansei só de falar o passo a passo, imagina lá na hora?
Você só aproveitará um veleiro de verdade se ele permanecer na água ou bem perto dela!
Existem clubes e marinas que mantém os barcos em seco, mas daí o trabalho de colocar e tirar é todo deles.
Nestes casos não há necessidade de tirar e colocar o mastro.
Antes de bater o martelo na compra do veleiro você deve pesquisar sobre as possibilidades de guarda (marina ou clube).
O bom mesmo é ir fazendo a busca do barco e da vaga em paralelo.
No caso do clube, não compre o título sem antes saber se existe vaga para o barco e sem antes conhecer bem o estatuto.
Pode acontecer de você adquirir o título e não haver disponibilidade dentro d’água e também pode acontecer de você querer morar a bordo e o estatuto não permitir.
Se for uma marina, descubra se a estrutura é capaz de atender suas necessidades bem como se os horários de atendimento condizem com os seus horários de utilização do barco.
Se você está pensando em viver a bordo, busque um local abrigado de todos os ventos e longe de ondas.
Minha marina é um bom exemplo disto. Ela fica no bairro de Santo Antônio de Lisboa em Florianópolis.
O local é bem protegido de norte a sudeste, porém completamente aberto de sul a noroeste.
Para morar no barco é preferível ficar longe de uma estrutura de marina, mas abrigado em uma boa enseada.

sábado, 28 de março de 2020

Como aprender a velejar por Marcelo Visinatiner Lopes


COMO APRENDER A VELEJAR DA MANEIRA CORRETA

Por Marcelo Visintainer Lopes – Escola de Vela Oceano
Instrutor de Vela e Consultor Náutico

Aprender a velejar requer disciplina, foco e disposição.
Como instrutor de vela (28 mil horas/aula) tenho a convicção de que o melhor caminho é através de escolas que utilizem padrões formais de ensino e que apresentem conteúdo e carga horária compatíveis com os diferentes níveis de cursos.

Navegando em mares desconhecidos
Adquirir um veleiro sem ajuda e começar a velejar sozinho são duas práticas muito comuns entre os brasileiros.
Aprender sozinho é muito duro e desgastante e não será um tutorial do Youtube que vai ajudar você a sair da encrenca que você se meteu.
Depois de assistir um “tutorial sobre mergulho” você colocaria cilindros nos seus filhos para realizar um mergulho de profundidade?


Ajuda dos amigos
Aprender a velejar com algum amigo não é uma má ideia e não haveria problema nisto desde que ele tenha cursado uma escola de vela no passado.
Teria que ter alguma dose de paciência e um pouco de didática para conseguir se fazer claro.
Teria que obedecer a um programa mais ou menos lógico, pois de nada adiantaria ensinar a colocar a vela balão antes de ensinar orçar e arribar, aproar e desaproar etc.


O velejador francês Eric Tabarly escreveu uma frase em seu livro Memória do Mar e que faz todo o sentido refletirmos nesse momento:

“Navegar é uma atividade que não convém aos impostores. Em muitas profissões, podemos iludir os outros e blefar com toda a impunidade. Em um barco, sabe-se ou não. Azar daqueles que querem se enganar. O oceano não tem piedade.”


Aprender a velejar de verdade
A maneira mais tradicional para aprender a velejar é através das escolas particulares.
A segunda maneira é através das escolas de vela dos clubes náuticos.
A terceira é através da contratação um instrutor particular para você aprender no seu próprio veleiro.

Escolas e locais ideais
Existem excelentes escolas vela oceânica espalhadas por todo o país.
O mais importante ao escolher uma escola é conhecer a experiência dos instrutores.
A segunda coisa mais importante é escolher um local onde vente de verdade (Floripa, Ilhabela e Búzios são bons exemplos), pois “mar calmo não forma bons marinheiros”!
Ventos fracos não ensinam as técnicas necessárias para velejar com segurança em condições difíceis.

Metodologias atuais
As melhores escolas de vela do mundo seguem praticamente os mesmos padrões de ensino com ênfase nas aulas práticas.
Os materiais de apoio são enviados com antecedência para que o aluno se familiarize com alguns termos que vai encontrar na aula.
Perder tempo com teoria faz parte da metodologia antiga e desatualizada.
Deixamos a teoria para você ler em casa.
Os cursos estão muito mais dinâmicos e voltados para “o aprender fazendo”.


Objetivos
O objetivo de uma escola de vela não é apenas ensinar a velejar e sim levar o aluno à perfeição na execução das manobras de um veleiro.
A consciência dos movimentos faz com que eles ocorram de forma natural e evita as consequências de manobras mal executadas.
Cada técnica é repetida muitas e muitas vezes até o aluno alcançar a performance projetada pelo instrutor.

Mitos
Muita gente pensa que velejar é complicado por causa daquela quantidade enorme de nomes difíceis.
As metodologias atuais aboliram a “decoreba” e não dão mais ênfase à nomenclatura.
Focamos na nomenclatura específica para cada fase do aprendizado, sem a pretensão de fazer o aluno decorar o dicionário inteiro.
Devemos aprender aos poucos, dia após dia.



quinta-feira, 26 de março de 2020

Morar a bordo - você se adaptaria?

Foto: Veleiro Escola Oceano VI num final de tarde na Praia do Tinguá

Clique no link abaixo e baixe o PDF


Por Marcelo Visintainer Lopes – Escola de Vela Oceano
Instrutor de Vela e Consultor Náutico

A ideia de morar a bordo de um veleiro encanta muita gente. Cada vez mais e mais pessoas estão deixando o conforto dos seus lares para viverem ancorados em alguma baia paradisíaca.
É a vida corrida da cidade e a busca por um estilo de vida mais saudável e ligado à natureza que acaba levando as pessoas para próximos do mar.

E você se adaptaria ao espaço pequeno e ao confinamento de um veleiro?

Boa parte dos que tentam acaba se adaptando, mas se você puder descobrir isto antes de largar seu emprego e vender tudo seria bem mais sensato.
A dica que para economizar tempo e dinheiro é não fazer muitos planos sem antes ter a certeza que vai se adaptar.
Conheço diversos casos de pessoas que investiram anos de suas vidas construindo seu próprio veleiro e que acabaram desistindo por não conseguirem se ambientar.

É melhor não correr riscos...

Pensando assim podemos elaborar um plano para a realização dos primeiros testes.
Saibam que a lógica e a razão que coloco aqui não é o caminho normal das pessoas que compram seu primeiro veleiro.
Por falta de pesquisa e instrução e agindo mais com o desejo do que com a razão, o pessoal acaba encontrando um caminho mais difícil e penoso.
No final ainda acham que foi uma “baita experiência ter passado por tudo aquilo”. Puro consolo, pois tudo poderia ter sido feito em menos tempo e com muito menos dinheiro.

O pior de tudo é dar dicas no Youtube de como fazer tudo errado!
Esta é a parte mais triste, mas para quem nada conhece, parece um experiência incrível.

Fico pensando como isto pode ainda estar acontecendo até hoje. Este sofrimento era atribuído aos nossos antepassados que por falta de informação disponível nas bibliotecas, tinham que descobrir as coisas pela dor.

“Pegar dicas” com quem começou errado e acha que fez a melhor coisa do mundo só confundirão a sua cabeça e o induzirão aos mesmos erros.

Frases do tipo “não existe certo ou errado” ou “é errando que a gente aprende” não existem na vida no mar.
No mundo profissional que eu vivo, desconheço este tipo de afirmação. São apenas um pedido de desculpas pelos erros cometidos.

“Só existe o certo”. O errado passa longe da minha experiência.
“É acertando que a gente não quebra, não sofre e não desiste”.

Meu papel é exatamente este: abreviar o sofrimento, o degaste emocional e o seu precioso tempo.
Um outro exemplo de planejamento equivocado é a pessoa querer se habilitar com a Marinha (Arrais, Mestre e Capitão), antes mesmo de saber se vai gostar de velejar.

Qual o sentido disto?
Conheci diversas pessoas que tomaram este dispendioso rumo e que nunca subiram em um barco, ou por falta de coragem, ou por falta de dinheiro ou por terem descoberto que enjoam caminhando sobre um pier.

Será que o veleiro vai combinar com a sua personalidade?

1. Conheça todas as tarefas
Preparar as velas, verificar o funcionamento do motor, abastecer, lavar, cuidar, mergulhar para realizar limpezas e manutenções no fundo do barco, e aí vai...  Claro que você pode passar longe da maioria destas tarefas mais pesadas pagando pelos serviços.

2. Saiba que a pressa de chegar ao destino não faz parte do jogo
O barco à vela navega lentamente e devemos entender que isto nunca vai mudar.

3. Teste suas próprias limitações (medos, traumas etc.)
Inclinação, balanço, ondas e o vento forte, velejar à noite, não avistar terra firme etc.
Podemos evitar estes itens com soluções simples como velejar só de dia, próximo à costa e em locais abrigados e não sair quando a previsão estiver ruim. O fato é que você terá exposto uma série de limitações e que talvez inviabilizem o seu futuro a bordo.

4. Resiliência - vários planos... A, B, C, D...
Em função da meteorologia, muitas vezes somos obrigados a fazer outra escolha de destino, principalmente para pernoitar em segurança e com conforto.
Por isto é normal que tenhamos em mente a possibilidade de ir mudando de plano a cada nova mudança meteorológica.

Como testar tudo isto na prática?
O teste mais eficaz e direto é fazendo um curso de vela oceânica mais extenso, onde você terá mais chances de enfrentar situações que o tirem da zona de conforto.
Cursos rápidos de um dia não lhe mostrarão a realidade.
Velejar com amigos também não serve. Em um dia lindo de sol e com pouco vento você vai se apaixonar de qualquer jeito. Vai ser um passeio bacana que só o deixará com água na boca.
Para funcionar melhor o amigo teria que ser um velejador experiente e com um dia mais nublado e ventoso. Mesmo assim ele deverá demonstrar, de forma real, como funcionam as coisas no barco.
Alugar um veleiro (charter) com um marinheiro profissional também não é das melhores opções, já que o objetivo do charter é “encantar” você para que retorne em breve.
Se você conversar sério com o skipper (comandante do charter) explicando os seus objetivos talvez ele possa ajudar de uma outra maneira.
Outra opção seria contratar a mesma locação, porém com um serviço extra de instrução de vela e, da mesma forma, deixando claro os seus objetivos.
É aconselhável você buscar boas referências do profissional ou da empresa de charter antes de realizar a contratação.

Quem são as pessoas que sonham morar a bordo
Elas querem ter um contato mais direto com a natureza e levar uma vida mais tranquila, longe da correria da cidade.
A mudança de rumo é o plano da grande maioria, já que os empregos tradicionais já não trazem tanta satisfação pessoal.  Muitas estão insatisfeitas com suas carreiras e o veleiro parece ser a solução mais rápida para sair da rotina e mudar de vida.
Mudanças de rumo são comuns na vida de um velejador. Fazemos isto constantemente, seja para melhorar as condições de navegação, seja para se afastar de algum perigo eminente, seja para se abrigar de uma tempestade ou simplesmente para se adaptar a uma mudança na direção do vento.
Em geral são aposentados, profissionais liberais com flexibilidade de agenda, investidores, trabalhadores remotos, trabalhadores por escala, prestadores de serviços náuticos, solteiros, casados, mais velhos, mais jovens, casais com filhos, casais sem filhos, casais com pets, irmãos, amigos, funcionários públicos próximos da aposentadoria e aí vai...

Deu para perceber que não existe nenhum pré-requisito específico?
Você também é um forte candidato a morar a bordo, basta tentar!

quarta-feira, 25 de março de 2020

Segurança a bordo de veleiros por Marcelo Visintainer Lopes

Clique no link acima e acesse o PDF
O arquivo “Segurança a Bordo” foi elaborado com o intuito de ajudar os velejadores a organizar as suas verificações antes de sair para velejar. 
É um documento completo e auto explicativo que criei em 2018.
De lá pra cá nada mudou, apenas a praticidade de utilizar esta lista no celular em forma de App. 
Embora a versão do App seja mais enxuta, tudo o que você precisa checar antes da saída está contigo ali. 
Nas próximas postagens vou liberar o conteúdo e o App.
Por Marcelo Visintainer Lopes
Instrutor de Vela
Consultor Náutico

terça-feira, 24 de março de 2020

Avaliação de Veleiros - planilha em PDF


Sei que a missão de avaliar um barco não é nada fácil em função dos inúmeros detalhes e foi por esta razão que decidi criar um elemento capaz de facilitar a vida de quem está começando.
A planilha de avaliação poderá ajudá-lo a encontrar um barco em boas condições.
Utilize-a sempre que for realizar alguma visitação, mas só bata o martelo depois que um profissional der o OK.
São mais de 100 itens organizados por setor e para melhorar ainda mais a visualização atribua uma nota de 1 a 5 ao lado de cada item. Coloque um X se o item não constar no barco.
Aproveite e faça bons negócios!


Clique no link abaixo e acesse a sua planilha

Planilha para Avaliação de Veleiros

segunda-feira, 23 de março de 2020

Dicas essenciais para comprar um veleiro

Por Marcelo Visintainer Lopes
Instrutor de Vela 
Consultor Náutico


Este foi o tema do workshop realizado pela Escola de Vela Oceano no Vela Show Itajaí em abril de 2019.
Falamos dos principais itens a serem avaliados antes da compra de um veleiro e também dos diferentes tipos de materiais utilizados na construção.
Quando as pessoas buscam o tão sonhado “PRIMEIRO VELEIRO” elas ainda não sabem o que avaliar e como avaliar.
Ainda não conhecem profissionais especialistas para ajudar na avaliação e a visitação inicial acaba sendo feita mais pela estética, do que pelas características estruturais em si.
Problemas na estrutura, corrosão galvânica, mecânica, funcionamento dos equipamentos eletrônicos e estado das velas, se não observados com profundidade, poderão representar um custo extra que pode representar facilmente mais da metade do valor do barco.
Depois de realizada a compra não há mais o que fazer a não ser assimilar o prejuízo.

Começar a pesquisar

Sem compromisso. É só pesquisa virtual!
Descubra quais as são as marcas consagradas e confiáveis dentro da sua possibilidade de investimento.
Tente sempre alcançar uma faixa acima daquela que o seu dinheiro alcança.
Por exemplo: se você tem 100 mil busque barcos da faixa de 120 mil que são maiores e provavelmente mais novos (não obrigatoriamente).
Antes de apresentar uma contra proposta avalie o barco e caso tenha interesse pergunte ao proprietário se uma proposta pode ser feita
Tem gente que se avilta com propostas muito abaixo do que estão pedindo, mas a maioria acaba aceitando.
Descubra também quais são as marcas que não devem fazer parte da sua lista de busca.
Para isto converse com um especialista no assunto e de preferência que não esteja envolvido com venda de embarcações.
Até pouco tempo atrás só era possível encontrar um barco usado nos sites dos corretores (brokers).
A função do broker é ajudar o vendedor a se desfazer do seu bem e ao mesmo tempo orientar o comprador para uma boa compra.
Eles cuidam do contrato e da verificação dos documentos do barco e das negativas do vendedor, tudo para que o negócio saia perfeito para ambas as partes.
É bom ressaltar que quem paga a comissão é o vendedor e o negócio não custa mais caro por causa disso.
Agora já é possível negociar direto com o proprietário, sem interlocutores. A desvantagem é que você assume 100% das responsabilidades.
Não haverá ninguém o aconselhando sobre as qualidades e defeitos do veleiro e tão pouco sobre os desdobramentos documentais.
É possível encontrar anúncios pulverizados por toda a rede, principalmente nos sites de venda como Mercado Livre, OLX, entre outros.


Maneiras de comprar um veleiro

A primeira é comprar um veleiro sozinho e arcar com 100% das despesas. Desde o imobilizado até as despesas mensais.
A outra maneira é arrumar um sócio e dividir pela metade todas estas despesas.
A terceira é comprar uma cota na modalidade time sharing?
Você adquire o direito de utilizar o barco x vezes no ano e divide todas as despesas pelo número de cotistas.
Normalmente existe um administrador que cuida de tudo e você nem chega a conhecer os demais cotistas.

Sugestão de busca por faixa de preço

Se você definiu a faixa dos 50 mil como a prioritária (veleiros de 23’ a 25’ pés) é bom entender que a busca deve acompanhar barcos entre 30 e 70 mil. Como assim?
É que talvez o de 30 mil atenda suas necessidades e esteja mais inteiro do que barcos de 50 mil que estão em péssimo estado.
Na faixa acima (70 mil) que corresponderia a um barco maior e talvez melhor, não é incomum o aceite de ofertas mais abaixo e talvez os seus 50 mil alcance (ou um pouco mais).

É aconselhável que você tenha mais planos em mente.
O que eu quero dizer com isto é que se o seu dinheiro não alcança o barco dos sonhos talvez alcance outros barcos menores e que também poderão fazer você feliz.
Podemos adquirir pequenos veleiros cabinados com lugar para o pernoite de quatro pessoas a partir de 15 mil reais.
Daí em diante a faixa pode variar até a casa dos milhões.


Começar a visitar

Se você não conhece nenhum especialista que possa fazer uma avaliação técnica a dica é olhar mesmo assim.
Marque com o proprietário e vá ver de perto.
Mas olhar o quê, se não conheço nada de veleiros?
Olhar vários barcos te ajuda a estabelecer um padrão:
Você conseguirá distinguir entre um barco visualmente inteiro e um barco caindo aos pedaços.
Mexa em tudo.
Peça para o proprietário abrir as velas, perceba a cor branca de uma vela semi nova e perceba a cor amarelada de uma vela bem surrada. Toque no tecido e sinta a textura firme e bastante resinada de uma vela em boas condições.
Levante os paineiros (assoalho) e paióis e veja se o barco é seco.
Perceba marcas internas de infiltração (anteparas, vigias, gaiutas, forração, etc.).
Abra tudo e veja o cuidado do proprietário e o estado geral do barco.
Peça para ligar o motor, rádio vhf, bombas de porão, bomba pressurizadora e os todos os instrumentos.
Atenção especial ao convés. Caminhe sem sapato e perceba pés de galinha no gel e a dureza do laminado.
Sanduiches de compensado e de madeira balsa eram muito usados no passado. Estes materiais se deterioram facilmente com a menor infiltração, causando “ocos” no laminado... 
Anote tudo!
Marque com outro proprietário e repita a operação.
Lá pelo quinto barco você terá como dizer se um barco está melhor conservado em relação ao outro.
Pesquise sobre marcas confiáveis e que não apresentem problemas recorrentes e assim você não perderá tempo.

Um profissional de avaliação
Se algum veleiro em especial conseguiu tocar o coração do casal, o ideal é investir na avaliação de um especialista.
Ele avaliará tudo o que necessita reparo, inclusive apontando os custos.
No exterior é comum os proprietários baixarem o valor do barco em função da inspeção feita por ele (Surveyor).
No Brasil este serviço profissional não é utilizado oficialmente, embora exista um razoável número de pessoas capazes de realizar uma boa inspeção.

A inspeção completa
Uma inspeção completa analisa desde o ponto mais alto do mastro até a sua base buscando pontos de corrosão galvânica e verificando o estado do estaiamento, terminais, esticadores e adriças passando pelas ferragens e cabos, velas, casco, motor, capotaria, elétrica, hidráulica e instrumentos. 
O casco é verificado somente fora d’água.
Ouvindo o som das batidas de um martelo especial e usando a experiência de ouvido podemos descobrir qualquer vazio na laminação.  
Medir a umidade do casco ajuda a definir o estado de saturação do laminado e também ajuda a tirar a dúvida sobre pontos suspeitos de osmose.
A consequência da absorção de água é a diminuição da resistência mecânica e o risco de delaminação da fibra (descolamento de camadas).

No caso de ter que chamar profissionais avulsos

    motor: mecânico de confiança
    casco, leme e quilha: laminador, montador ou pintor com experiência comprovada
    mastreação: especialista em mastreação
    velas: o mesmo especialista em mastreação ou um velejador mais experiente

Devemos velejar antes da compra?

A velejada antes da compra só será validada se for acompanhada de um especialista e de preferência em um dia com muito vento e mar agitado.
Somente nestas condições aparecerão defeitos que poderão vistos, ouvidos e sentidos.
Do contrário será só um passeio de barco com risco de compra causado pela emoção.


Posso comprar um veleiro que está na água?

Preferencialmente não!
Só será possível comprar um barco na água se você é amigo do proprietário e conhece todo o histórico de tratamento do casco.
Marcas e modelos consagrados diminuem o risco de osmose, mas não o afastam completamente.
Por outro lado de nada adianta determinado estaleiro não apresentar histórico de osmose se o proprietário nunca deu a menor atenção para a manutenção da tinta de fundo.

Que tipo de avaliação é feita fora d’água?

    Osmose (ainda não reparada)
    Estado da pintura de fundo
    Folga no eixo do leme
    Folga nas ferragens do leme (leme externo)
    Anôdos de sacrifício
    Estado geral da quilha e leme e alinhamento quilha/leme
    Acabamento superior da quilha
    Dureza do casco
    Percentual de umidade absorvida pelo casco
    Sensores de instrumentos
    Hélice
    Eixo e pé de galinha
    Rabeta
    Flanges e tomadas de refrigeração do motor
    Batidas e deformações
    Rachaduras e pés de galinha na fibra

Quando colocar o barco na água?

Só no caso de haver interesse real na compra.
Daí serão avaliados motor, vazamentos, instrumentos, rigidez etc.

O que esperar de um barco novo?

    Rigidez estrutural de casco
    Mastreação bem dimensionada
    Velas de dacron importado e feitas em velerias renomadas
    Motor de marca confiável 
    Instalação elétrica bem executada
    Hidráulica bem executada
    Livre de osmose


O que esperar de um barco usado?

    Rigidez do casco (quando apoiado em um berço)
    Rigidez do casco (velejando nas ondas)
    Mastreação/estaiamento revisados
    Tecido das velas em bom estado
    Velas pouco cedidas (ainda não apresentam grandes barrigas de deformação)
    Motor bem dimensionado, em perfeito estado de conservação e com revisões em dia
    Instalação elétrica revisada
    Hidráulica revisada
    Livre de osmose ou quase...
    Velocidade média acima de 5 nós
    Boa manobrabilidade
    Teor aceitável de umidade no casco
    Não ter sido um barco de competição (de calendário)
    Interior seco
    Instrumentos modernos (os antigos foram substituídos)
    Gel conservado
    Com pouca ou nenhuma folga no leme

Cabos, verniz, tinta de fundo, estofamentos e baterias são fáceis de trocar e relativamente baratos se comparados aos demais itens.


Monocasco ou Catamarã?

Que tipo de casco deverei escolher?
Esta questão é muito pessoal e está basicamente ligada ao espaço, ao conforto e à segurança.
As esposas normalmente preferem os catamarãs e os maridos os monocascos.
Já os filhos e os PETS preferem os catamarãs por causa do espaço.

Um monocasco apresenta várias vantagens como um custo menor para adquirir, manter e guardar, orça mais (faz um ângulo menor contra o vento), é auto adriçante (pode virar, mas desvira sozinho) e possui uma rigidez estrutural por ter que aguentar o peso da quilha e as deformações longitudinais.

Como desvantagens apresenta um maior calado e com isto possui restrições de aproximação das praias e todos os acessos mais rasos de mangues, rios, passagens de pedra e coral.
Além disto o espaço de convívio é menor, se comparado ao catamarã, apresenta adernação lateral quando veleja contra o vento e o balanço e cabeceio a favor do vento.

Já o Catamarã apresenta o espaço ampliado e o conforto como principais vantagens.
Seu baixo calado permite que ele chegue em locais onde só caiaques costumam chegar.
Seus dois motores (normalmente) conferem mais segurança e autonomia e a sua estabilidade lateral permite que a maioria das coisas fique parada no mesmo lugar sem rolar de um lado para o outro.

As principais desvantagens são o custo mais elevado para adquirir, manter e guardar, o fato de não orçar tão bem quanto um monocasco e o fato de não ser auto adriçante (vira e fica virado).
Outro aspecto importante para se ressaltar como desvantagem é o barulho de demolição causado pelas ondas quando passam por baixo do salão.
Os catamarãs estão cada vez mais acima d’água justamente por esta razão.

Onde guardar o veleiro?

Esta pergunta deve ser respondida antes das buscas evoluírem muito.
A emoção da compra já faz você dar alguns lances (fazer propostas)?
Calma!
Primeiro precisamos definir onde você vai deixar o veleiro.
Muita gente compra o veleiro e depois descobre que não existe local próximo para guardá-lo em segurança.
Se você pensa em guardá-lo no quintal de casa é aconselhável que seja um barco pequeno e leve para ser rebocado por um carro ou camionete.
Com certeza não será o caso de um veleiro pesado e com quilha fixa.
Se houver uma marina na região a coisa fica mais fácil!

Perguntas pertinentes ao local de guarda

    É só uma poita em frente à praia (sem nenhuma estrutura)?  Qual o valor mensal?
    É clube de vela? Qual o valor da joia, da mensalidade e da vaga para o barco?
    O local possui estrutura para receber minha família e amigos (banheiros, churrasqueira etc.)?
    É poita ou trapiche?
    Possui serviço leva e traz 24 horas?
    É protegido da ação do vento e das ondas?

Últimas dicas
De nada adianta “idealizar” um tamanho de barco e ficar anos e anos esperando...
Esperar por um ou dois anos é razoável...
Qualquer barco poderá atender o seu desejo de velejar, mas poucos atenderão “o ideal” de espaço e conforto.
É melhor comprar qualquer barco pequeno e começar a velejar do que ficar anos e anos sonhando.
Na próxima postagem falaremos sobre a nossa planilha de avaliação de veleiros.